Tantas propostas eu tenho a lhe fazer, meu amor. Aceita sair pelo país em um passo lento, quase parando, sem conhecer qualquer outro lugar que não seja a minha alma? Aceita me beijar no meio do trânsito, no meio da chuva, no meio da tristeza, no meio da miséria de tudo? Temos alguns minutos e mais uma eternidade para falar sobre o amor que tomou o lugar do sangue e agora corre em nossas veias. Não dê trégua à pressa. Fique. Fique porque você é a primeira pessoa a quem eu peço para permanecer. Você se tornou o refúgio do meu frio, a inspiração dos meus sonhos, o desejo das madrugadas, a bandeira da minha saudade. Tudo passou a ser tão subjetivo. Comparo seu toque com a luz morna que o sol joga em meu rosto e sua voz com o choro sentimental de uma orquestra em luto. Passeamos pela cidade e todas as pedrinhas da calçada, todas as nuvens do céu, todos as telhas das casas sorriem para nós. Não vê, anjo meu, como tudo transborda aprovação ao nosso amor? E além, querido, o mundo se resume inteiramente a esse fio de prata que sai dos meus olhos até chegar aos seus.